Vídeo de manifestação política no meio do público dividiu a internet, mas a caixa de comentários das páginas locais revelou um forte repúdio de conquistenses, que afirmam: “Esse povo não nos representa”
O encerramento do show de Maria Bethânia no Festival de Inverno Bahia (FIB) entregou um momento que rapidamente dominou as redes sociais em todo o estado. Um vídeo onde parte da plateia entoa o coro “Olê, olê, olá… Lula, Lula!” viralizou nas páginas de notícias. Mas se, para quem vê de fora, a impressão era de que a cidade estava abraçando o governo petista, o verdadeiro termômetro político explodiu mesmo foi na caixa de comentários dos portais locais.
Assim que os vídeos foram ao ar, os próprios moradores de Vitória da Conquista fizeram questão de desmistificar a cena. A enxurrada de comentários mostrou uma população incomodada com a associação da imagem da cidade ao coro partidário.
“Esse povo não é daqui”
A reação expôs uma dinâmica comum em grandes festivais: a bolha do evento não reflete a realidade das urnas. Muitos internautas pontuaram que o FIB atrai um enorme volume de turistas de várias partes da Bahia e do Brasil, e que a manifestação partiu de um nicho específico.
“Pode ver que esse povo aí não é de Conquista”, cravou um seguidor, em um dos comentários mais curtidos sobre o caso. Outros foram além, apontando que a Bahia sofre com péssimos índices de violência e educação, e que festejar políticos no meio de um show é uma inversão de prioridades. “Ainda bem que não fui para não passar essa vergonha”, desabafou outra moradora.
O recado para 2026: Conquista exige gestão, não ideologia
O episódio do FIB acabou servindo como um “raio-x” do eleitorado da Joia do Sertão Baiano. Vitória da Conquista sempre teve um perfil político independente, conservador em seus valores e extremamente crítico. É uma cidade que vota cobrando resultados de gestão, infraestrutura e desenvolvimento, rejeitando imposições ideológicas.
Enquanto a base do Governo do Estado (PT) tenta usar a cultura para criar uma sensação de maioria, a reação digital provou que a oposição tem uma base sólida, forte e engajada na região Sudoeste. O recado dos conquistenses nas redes foi claro: o festival pode até trazer turistas animados para cantar na plateia, mas quando se trata de definir o futuro da Bahia para 2026, a cidade não se deixa levar pela emoção do momento e exige mudança de verdade.



