O período eleitoral já começou a movimentar não apenas os palanques, mas também o tribunal implacável da internet. Desta vez, o alvo das resenhas e críticas virtuais que circulam pela região foi a candidata a deputada estadual Doutora Lara (Republicanos). O motivo da polêmica é a sua autodeclaração racial no sistema de divulgação de candidaturas da Justiça Eleitoral.
Ao preencher os dados obrigatórios para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a candidata foi registrada sob a cor/raça “Parda”. A informação, que é pública, rapidamente chamou a atenção de eleitores e internautas, que questionaram a classificação ao compararem o dado com a foto oficial da campanha, apontando que a candidata possui fenótipo lido socialmente como branco.
A situação não demorou a virar combustível para memes. Em um vídeo que passou a circular com força nos grupos de WhatsApp e redes sociais, um usuário utilizou ferramentas de edição de imagem para escurecer drasticamente a pele e alterar os traços da candidata na foto da urna.
Com tom de forte deboche, o narrador do vídeo exibe a montagem e dispara comentários sarcásticos para “justificar” o registro no TSE, chamando a candidata editada de “nossa cotista” e “menina chocolate com pimenta”. O material ainda é encerrado com um conhecido meme de humor, onde um policial diz “Não é eu não, é o povo”, eximindo-se ironicamente da autoria da piada.
O episódio, além de viralizar pelo humor ácido, joga luz sobre um debate recorrente e sério a cada ciclo eleitoral no Brasil. Como a legislação atual determina a distribuição proporcional de recursos do fundo eleitoral e do tempo de televisão para candidatos negros (pretos e pardos), a vigilância dos eleitores sobre como os políticos se declaram tem se tornado cada vez mais rigorosa. Na era digital, qualquer registro que o público considere contraditório vira munição instantânea para a sátira popular.



